O resgate pós-maternidade

12 agosto 2017


Eu não sei se esse é um processo que acontece com todas as mães, mas comigo aconteceu.

Quem me lê aqui há mais tempo sabe que em 2014 eu engravidei e perdi uma bebê às 25 semanas de gestação.

E de lá pra cá, a minha autoestima foi pro ralo, sabe? Teve o luto pela perda e depois entrei numa neurose de engravidar novamente. No meio do caminho eu descobri uma endometriose e fui tratar. Daí me entreguei à cirurgia, aos hormônios pesadíssimos, ao tratamento de indução de ovulação... e nada deu jeito. Foi um 7 a 1 de respeito, rsrsrsrs.

Quando eu finalmente tinha aceitado que não engravidaria mais e internalizei que era hora de cuidar de mim, eu apareci grávida da Maria Carolina. E aí foram mais 8 meses e meio me preocupando em segurar a gravidez. Maria nasceu, minha vida virou de cabeça pra baixo e o resto quem é mãe sabe.

O resultado disso tudo? Eu fiquei a maior baranga que você respeita. 

Desde 2014 eu não comprava uma roupa bacana, um sapato. Devo ter ido cortar o cabelo umas 3 vezes nesse tempo todo. A única coisa que preservei mesmo foi fazer depilação porque higiene é necessária né, mores?

E juro que isso não me incomodava de todo, sabe? Eu me incomodava um pouco, ok, mas minha vida anda tão indoor que não era uma desgraça. Eu trabalho em casa, então é coisa rara enxergar além do portão do condomínio... ainda mais com uma bebê de 4 meses em casa!

Até que hoje precisei me arrumar para ir ao shopping.

E nenhuma roupa mais ficava legal. Ou porque meu corpo mudou depois da gravidez e o caimento não era o mesmo de antes, ou porque o meu estilo não é mais o do passado.

(Três anos sem comprar roupas, amigues. Imaginem o quanto a moda já mudou)

Eu sei que me deu uma deprê tão grande... parecia um tapa no meio da cara, sabe? Eu, que já fui uma pessoa tão fashionista, agora estava ali, vítima de um guarda-roupa que não era mais o meu.

Daí vesti a roupa "menos pior" e fui no shopping comprar roupas novas. A coisa tava tão ruim que precisei comprar sapatos, roupas, preciso de lingeries novas e até bijus! Ainda não comprei tudo o que queria/preciso, porque fui bem consciente nas aquisições e porque tenho algumas roupas aqui que quero levar pra transformar.

E é incrível o poder que uma "brusinha" tem!

Eu não estou no meu melhor corpo e sei que preciso arrumar um tempinho pra emagrecer os quilos que tanto hormônio trouxe ao longo desses três anos, então tô encarando o tamanho da roupa como algo transitório e sem neurose. Mas estou feliz de ter "acordado" e não estou me odiando assim, o que acho o máximo. 

Na verdade, eu tô me achando o maior mulherão! 

Aprendi que tenho que amar todas as versões de mim, transitórias ou não. Eu tenho que amar esse corpo que foi tão sacrificado para trazer a vida da pessoinha mais importante que há nessse mundo. Não me preocupo em fazer esse retorno ao corpo de antes com pressa. Eu preciso focar no trabalho, nos novos projetos, em cuidar da minha casa, do meu casamento e da minha filha. São tantas coisas que correm em paralelo, e minha vida mudou tanto com a maternidade, que preciso me adaptar a tudo, porque é tudo novo.

Eu quero poder me resgatar agora, que minha busca incessante pela maternidade acabou. Eu preciso trazer de volta a Carol e poder misturá-la com essa nova (e adorável) versão de mim mesma. 

Dito isto, preciso dizer que talvez vocês vejam post ou outro falando de mulherices, viu?

E viva a nossa autoestima!!!!

(Crédito da imagem: Freepik)

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Feito com ♥ por Lariz Santana